A Fábula do Estado da Ilha Parte III – O que determina a taxa de câmbio

O que determina a taxa de câmbio

A Fábula do Estado da Ilha – Parte III

Essa série é de autoria de José Kobori e foi transcrita para a forma de texto, deixarei o link para o vídeo oficial do youtube ao final do texto.

Nesse capítulo você vai aprender sobre:

  • Câmbio
  • Paridade de poder de compra

 

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O meu objetivo ao explicar conceitos econômicos através desta fábula é sempre transmitir de maneira simples, didática e objetiva temas que aparentemente são complexos mas que podem ser explicados de forma a atingir o maior número de pessoas, independente da sua formação. Poucos comentários têm me cobrado teorias e profundidade acadêmica, mas se assim o fizer não disseminarei o conhecimento para os que precisam, e meus ensinamentos não são direcionados a economistas. Por exemplo, o assunto de hoje é câmbio, se eu for discorrer sobre como se estabeleceram as primeiras taxas de câmbio, sendo objetivo, eu precisaria de pelo menos uma hora para falar sobre teoria quantitativa da moeda, paridades definidas pelas reservas de ouro, déficit ou superávit na balança de pagamentos, teria que passar pela história da primeira guerra mundial, da grande depressão, da segunda guerra mundial, quando a Inglaterra esgotou as suas reservas de ouro e fez com que Winston Churchill não mais retornasse ao padrão ouro, passar pelos acordos de Bretton Woods, até como os custos da Guerra do Vietnã fizeram com que os Estados Unidos abandonassem também de vez o padrão ouro em 1971.

Não vou submeter ninguém a essa chatice, porque esse assunto ainda é um desafio ainda não resolvido pela teoria monetária dos economistas, vou utilizar nossas bananas na ilha, o que será bem mais didático e agradável.

Crise econômica e inflação

Nossa ilha estava sofrendo com a crise econômica, a inflação corroía o poder de compra dos habitantes, as taxas de juros inviabilizavam os negócios e o governo não conseguia dar uma solução. Num belo dia uma embarcação desconhecida aportou na ilha, um primeiro contato foi estabelecido com a tripulação do barco estranho e após o receio inicial ficou claro que tanto a ilha era desconhecida para os tripulantes do barco, como também, após revelarem que vinham de uma ilha mais distante ao norte, a mesma era desconhecida para os habitantes da ilha. Vamos chamar essa ilha do norte apenas como estado do norte.

Após alguns dias conhecendo a ilha e sem qualquer hostilidade, os tripulantes do barco do estado do norte foram embora levando a novidade para o seu povo. Nesses dias de contato trocaram muitas informações e percepções entre si. Os habitantes da ilha acharam o povo do estado do norte saudáveis e educados, sentiram até que eram mais evoluídos.

Os habitantes do estado do norte por sua vez notaram que a nova ilha estava em crise, sofrendo até um certo nível de desabastecimento. Não tardou para aproveitarem essa nova oportunidade de negócios. Passados mais de um mês, dois barcos retornaram a ilha, desta vez carregados de bananas.

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Venderam o carregamento aceitando a moeda local, ou seja, pedras esculpidas pelo estado da ilha. Uma banana por uma pedra, que era o preço local. Ao retornarem já em alto mar, comentaram entre a tripulação a estranheza da diferença no valor das moedas da ilha em relação ao estado do norte.

No estado do norte a moeda era o cobre, e uma moeda de cobre comprava seis bananas. Tudo era novo também para o povo do norte, aceitaram as pedras pensando numa oportunidade futura de retornar a ilha e comprar produtos para levar ao estado do norte. Passaram dois meses e os visitantes não retornaram… Os habitantes da ilha desejavam mais bananas, assim formaram duas tripulações e navegaram em direção ao norte para comprá-las.

A chegada no Estado do Norte

Chegando no estado do norte aproveitaram também para passar uns dias e conhecer a nova ilha, lá descobriram que a economia do norte não estava em crise e parecia ser também uma ilha mais desenvolvida. Em conversas com os locais ficaram sabendo que não havia inflação e a taxa de juros era baixa, o que propiciava mais negócios na ilha do norte. Ao perguntarem o preço da banana foram informados que uma moeda de cobre comprava seis bananas, coincidentemente o mesmo preço que fora no passado no estado da ilha, meia dúzia de bananas por uma pedra. Queriam percorrer a nova ilha em busca de bananas suficientes para abastecer o estado da ilha por um tempo, mas tinham um problema, lá não aceitavam pedras.

Então foram a procura dos comerciantes que haviam visitado o estado da ilha, pois eles aceitariam suas pedras já que aceitaram ao vender as bananas na visita anterior. Quando os encontraram, conseguiram trocar as pedras pelas moedas de cobre e foi estabelecida a taxa de câmbio de 6 pedras por uma moeda de cobre, já que, como uma pedra comprava uma banana na ilha, para comprar seis bananas no estado do norte eles precisariam de seis pedras ou uma moeda de cobre. Assim trocaram as pedras pelas moedas de cobre e foram em busca das bananas no comércio do norte.

Ao retornarem com o carregamento de bananas para a ilha também refletiram sobre a diferença de valor entre as moedas, após muita discussão chegaram a conclusão que se a terrível inflação que assolava o estado da ilha há tempos não houvesse tirado o poder de compra da pedra, eles ainda comprariam seis bananas com uma pedra e as moedas teriam o mesmo valor. A conclusão que acabamos de chegar é o que os economistas chamam de paridade de poder de compra, que definiu originalmente que a taxa de câmbio de um país tende a se desvalorizar na mesma proporção que aumenta o nível dos preços. Como falei no início, o padrão ouro também definia a taxa de câmbio, quando cada país era obrigado a ter suas moedas lastreadas nas suas reservas de ouro.

No início uma paridade de um pra um, depois por diversos motivos foi se alterando, e acredite, apesar de mais complexa a explicação, no final é a mesma coisa das bananas…

Felipe Guida

Felipe Guida

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